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A Benção rejeitada
17 de Novembro de 2008, às 11:21 AM
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Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber.” (At 20.35.).

A filosofia que rege o mundo é diametralmente oposta àquela estabelecida por Jesus. O mundo desaprova e escarnece dos valores que regem nossa conduta financeira. Numa cultura em que a lei régia é levar vantagem em tudo, ganhar tudo o que puder, por todos os meios, de todas as formas, em todo o tempo e de todas as pessoas, para o seu próprio deleite, o ensino de Jesus é revolucionário: “Mais bem-aventurado é dar que receber.” (At 20.35.) Ninguém é tão pobre que não possa dar, nem tão rico que não possa receber. Todos podem experimentar essa bem-aventurança. Dar não é tanto uma questão de quanto dinheiro temos nas mãos, mas de quanto amor temos no coração. Nós sempre somos ricos em relação a alguém. Sempre haverá alguém mais necessitado do que nós. Somos sempre desafiados a repartir um pouco do que temos. Essa bem-aventurança de dar não é restrita apenas aos ricos.

A Bíblia não condena a riqueza. Se a riqueza é granjeada com honestidade e trabalho e usada com generosidade e altruísmo, ela é uma bênção. O problema não é ser rico, mas avarento. O problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. O problema não é ganhar dinheiro, mas retê-lo com usura. O problema do mundo moderno não é escassez de provisão, mas injusta distribuição. Enquanto uns têm de sobra, outros passam necessidade. Enquanto uns morrem de comer, outros morrem de fome. O que é jogado fora da mesa de uns, falta na mesa de outros. O problema da fome não é falta de alimento, mas falta de amor.

A parábola do samaritano (Lc 10.25-37) aponta-nos três tipos de atitudes que estão presentes na sociedade. A primeira atitude é a dos ladrões e salteadores que saquearam o viajante, deixando-o semimorto à beira do caminho. Esses são aqueles que vivem para fazer o mal. São de todo corrompidos. Maquinam o mal, tramam a violência e executam-na sem compaixão. Em vez de trabalharem e ganharem o pão com o suor do rosto, não respeitam a vida nem os bens do próximo. A segunda atitude é representada pela omissão do sacerdote e do levita, que, ao verem o homem ferido à beira do caminho passaram de largo. Esses são aqueles que vivem para si mesmos. Estão muito ocupados com os seus próprios negócios e não têm tempo nem amor para cuidar dos necessitados. A terceira atitude é a do samaritano, que ao ver o moribundo abandonado à sua própria sorte, pára, olha, se aproxima, cura, levanta, carrega e investe na vida do necessitado, sem se importar com sua nacionalidade ou religião.

O amor não tem preconceitos nem fronteiras. Ele é altruísta. O amor pensa nos outros, mais do que em si mesmo. O amor tem mais prazer em dar do que em receber. Na verdade, perdemos o que retemos e possuímos o que damos. A semente que comemos ou guardamos não pode se multiplicar. O que damos, porém, é como uma sementeira que se multiplica. Quanto mais damos, mais recebemos. Quanto mais semeamos, mais colhemos. O princípio bíblico é: “mais bem-aventurado é dar que receber.” (At. 20.35.) Vejamos alguns ensinos práticos sobre esse postulado:

1. Precisamos entender que a riqueza não é para ser acumulada, mas distribuída (At 20.35) –
Jesus disse que é difícil um rico entrar no Reino de Deus (Lc 18.24). Na verdade, é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico ser salvo. Contudo, o que para os homens é impossível, é possível para Deus (Lc 18.24-27). O rico não pode fazer do dinheiro o seu deus, nem pôr a sua confiança na instabilidade das riquezas (I Tm 6.17). Os ricos têm um grande ministério: ajudar os pobres. Eles precisam ser generosos no dar. Precisam aprender a repartir os seus bens. Zaqueu, ao ser convertido, resolveu destronar o deus Mamom do seu coração. A generosidade foi a primeira evidência da sua conversão (Lc 19.8). Jesus fala sobre um rico avarento que se regalava em suas festas sem se apiedar de Lázaro, faminto, à sua porta. Sua riqueza tornou-se o combustível da sua própria ruína. Ele morreu e foi para o inferno, porque amou mais o dinheiro do que a Deus e ao próximo. Ele não foi para o inferno por ser rico, mas por ser avarento (Lc 16.19-31). A avareza é a evidência mais hedionda do egoísmo.

2. Precisamos entender que, quando damos aos pobres, é como se estivéssemos dando ao próprio Deus (Mt 25.40; Fp 4.18) –
No dia do juízo, os homens serão julgados segundo as suas obras (Mt 25.31-46). Certamente, pelas obras ninguém pode ser salvo (Ef 2.8-9). Não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras (Ef 2.10). As nossas boas obras não nos levam para o céu, mas nós as levamos para o céu (Ap 14.13). Jesus disse que, quando damos pão ao faminto, água ao sedento, vestes ao nu, abrigo ao forasteiro, e visitamos os presos e doentes, é como se fizéssemos essas coisas a Ele (Mt 25.40). Temos de ver Deus no rosto do nosso próximo. Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê  (1Jo 4.20). Negligenciar a generosidade aos pobres e aflitos é como sonegar a Jesus um gesto de socorro. Deixar de dar pão a quem tem fome é o mesmo que negar um prato de comida ao Filho de Deus. O apóstolo Paulo diz o que ofertamos aos outros é como uma oferenda a Deus, como um sacrifício aceitável e aprazível a Deus (Fp 4.18).

3. Precisamos entender que, quando damos aos pobres, emprestamos a Deus (Pv 19.17) – Deus é o dono de todas as coisas (Sl 24.1). Somos apenas mordomos dos bens que Ele nos confiou ( I Co 4.1). Somos administradores de bens alheios (Lc 16. 1-2). Nada trouxemos para este mundo, nem dele vamos levar coisa alguma ( I Tm 6.7). Não há bolsos em mortalhas nem caminhão de mudança em enterros. Nossos tesouros não podem nos acompanhar nem nos valer na viagem que faremos par a eternidade. Contudo, quando socorremos os aflitos com os bens que o próprio Deus nos confiou, isso é como um empréstimo a Deus ( Pv 19.17). Ele nunca fica devendo nada a ninguém. Ele é a fonte de todo bem. Ele é quem nos dá a vida, a saúde, a inteligência e nos capacita para adquirirmos riqueza (Dt 8.18). Ele é quem abre as janelas dos céus e derrama sobre nós bençãos sem medida (Ml 3.10). Sua palavra é clara: “Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.” (Lc 6.38.) Jesus disse que até um copo de água fria que você der a alguém em seu nome não ficará sem recompensa. Sim! Mais bem-aventurado é dar que receber. Enquanto damos coisas materiais, recebemos recompensas materiais e, sobretudo, espirituais. Deus é o supremo galardoador!

4. Precisamos entender que, quando damos aos pobres, o nome de Deus é glorificado, e o evangelho ganha credibilidade (Fp 4.18-20) – Quando os homens vêem as obras da igreja, eles glorificam a Deus (Mt 5.16). Quando a igreja compartilha as necessidades dos santos, as portas se abrem para o testemunho do evangelho. O apóstolo João diz que o amor verdadeiro não é apenas de palavras, mas traduz-se em obras, em ajuda ao necessitado (I Jo 3.17-18). João Batista disse que o verdadeiro arrependimento implica também repartir comida com quem tem fome e vestes com quem está nu (Lc 3.11). Na igreja primitiva, as pessoas tinham tudo em comum (At 2.44; 4.32). O apóstolo Paulo nunca separou a pregação do evangelho da assistência social. Ele se preocupava com os pobres (Gl 2.10).

5. Precisamos entender que a generosidade no ato de dar é o caminho da verdadeira felicidade (At 20.35) – Jesus disse que dar não é um peso, mas uma grande alegria (At 20.35). Esse privilégio não é apenas um caminho excelente da bem-aventurança, mas um dos mais distinguidos. Ofertar não é um ato que deve ser praticado com tristeza, pois Deus ama a quem dá com alegria (2Co 9.7). Receber algo de alguém é uma grande benção e nos proporciona uma grande felicidade, mas Jesus disse que a alegria de dar é maior ainda do que a alegrai de receber. Há muitas recompensas para aqueles que têm o coração generoso. A primeira recompensa é que a generosidade promove a glória de Deus (2Co 9.11-13). em segundo lugar, ela supre a necessidade do próximo (2Co 9.12). Em terceiro lugar, o generoso faz bem a si mesmo (Pv 11.17). Em quarto lugar, a generosidade produz prosperidade (Pv 11.24-25; 2Co 9.10-11). Em último lugar, aquele que acode ao necessitado, Deus o liberta no dia da aflição, o preserva do inimigo, conforta-lhe na enfermidade e o  faz feliz na terra (Sl 41. 1-3). Mesmo que sejamos pobres, podemos ser ricos em bondade. A palavra de Deus nos diz que “uns se dizem ricos sem terem nada; outros se dizem pobres, sendo mui ricos.” (Pv 13.7.) Que mesmo em nossa pobreza possamos ser generosos no repartir, assim como o apóstolo ensinou: “pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.” (2Co 6.10.)

                                                                                        
:: Pr. Hernandes Dias Lopes
Trecho retirado do livro "Mensagens Selecionadas"

 
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