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2007 .4º Trimestre | O Fogo do Ourives
Lição 13 • Cristo no crisol
22 a 29 de dezembro
| Sábado à tarde |
Ano Bíblico: Ap 1–3 |
VERSO PARA MEMORIZAR: "Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?" (Mt 27:46). |
LEITURAS DA SEMANA: Mt 2:1-18; 27:51 e 52; Lc 2:7, 22-24; 22:41-44; Jo 8:58 e 59; Rm 6:23; Tt 1:2
Sempre que estudamos o assunto do sofrimento, vem a pergunta: Como surgiram o pecado e o sofrimento? Pela revelação divina, temos boas respostas: surgiram porque seres livres abusaram da liberdade que Deus lhes deu. Esta resposta leva a outra pergunta: Deus sabia antecipadamente que esses seres cairiam? Sim, mas, obviamente Ele pensou que, como C.S. Lewis escreveu, "valeria o risco".

Valeria o risco? Para quem? Para nós, enquanto Deus ficaria no Céu em Seu trono? Não exatamente. A liberdade de todas as Suas criaturas inteligentes era tão sagrada que, em lugar de nos negar a liberdade, Deus concordou em levar sobre Si mesmo o ímpeto do sofrimento causado por termos abusado dessa liberdade. E vemos esse sofrimento na vida e na morte de Jesus, que, por haver sofrido em nossa natureza, criou laços entre o Céu e a Terra que durarão por toda a eternidade.
Prévia da semana: O que Cristo sofreu em nosso favor? O que podemos aprender de Seu sofrimento?
| Domingo |
Ano Bíblico: Ap 4–6 |
Os primeiros dias
A Bíblia dá poucas informações sobre os primeiros anos de Jesus. Mas alguns versos nos dizem algo sobre aquelas condições e o tipo de mundo em que o Salvador entrou.
1. Quais eram as condições do mundo em que Jesus nasceu e viveu? Lc 2:7, 22-24. Pense nos aspectos sociais, econômicos e religiosos. Veja também Lv 12:6-8 e Mt 2:1-18.
Evidentemente, Jesus não foi o primeiro a viver em pobreza ou a enfrentar aqueles que queriam matá-Lo, desde tenra idade. Mas existe outro elemento que nos ajuda a entender a singularidade do que Cristo sofreu desde a infância.
2. Que outro elemento nos ajuda a entender os sofrimentos de Jesus na juventude? Jo 1:46
Com exceção de Adão e Eva antes da queda, Jesus foi o único sobre a Terra a viver sem pecado. Em Sua pureza, em Sua ausência de pecado, Ele estava submerso em um mundo de pecado. Que tortura deve ter sido para Ele, mesmo como criança, pois Seu coração puro estava constantemente em contato com o pecado! Mesmo em nossa dureza por causa do pecado, nós mesmos freqüentemente nos afastamos dos pecados e do mal que achamos repulsivo. Imagine o que deve ter sido para Cristo, cujo caráter era puro, que não era manchado pelo pecado nem por uma partícula. Neste sentido, pense no contraste entre Ele e os que viviam ao Seu redor. Deve ter sido sumamente doloroso para Ele.
Respostas sugestivas: Pergunta 1: Jesus nasceu em um ambiente de pobreza, atraso, ignorância e superstição. O pecado era prevalecente. Pergunta 2: Nazaré era uma cidade desprezada entre os judeus.
Pergunte a si mesmo: "Quão sensível sou aos pecados que existem ao meu redor? Fico aborrecido, ou estou endurecido para o pecado?" Se está endurecido, pode ser por causa das coisas que lê, assiste ou até mesmo faz? Pense nisso. |
| Segunda |
Ano Bíblico: Ap 7–9 |
Menosprezado e rejeitado pelos homens
3. Quais foram alguns dos sofrimentos que Jesus enfrentou aqui na Terra? Tenha em mente o fato de que Jesus era divino, o criador do Céu e da Terra e que Ele veio para Se oferecer como sacrifício pelos pecados do mundo inteiro. Mt 12:22-24; Lc 4:21-30; Jo 8:58 e 59
Seja pelos líderes, seja até mesmo pelas pessoas comuns, a vida, os atos e os ensinos de Jesus eram constantemente mal entendidos, resultando em rejeição e ódio pelas pessoas que Ele viera salvar. Em certo sentido, devia ser como um pai que vê um filho desobediente precisando de ajuda, e o pai ainda está disposto a dar tudo por aquele filho, o filho rejeita o pai, desprezando e rejeitando talvez a única pessoa que poderia poupar aquele filho da miséria absoluta. Foi isso que Jesus enfrentou aqui na Terra. Como deve ter sido doloroso para Ele!
4. Leia a lamentação de Jesus em Mateus 23:37. Como Cristo sentia a rejeição? Pergunte também a si mesmo: "Ele estava Se afligindo por Si mesmo [como fazemos freqüentemente quando passamos por rejeição], ou era por outra razão?" Se era outra razão, qual era?
Todos sentimos a dor da rejeição, e talvez nossa dor seja semelhante à de Cristo no sentido de que era abnegada: sentimos a dor não porque fomos rejeitados, mas pelo que a rejeição significaria para a pessoa que rejeitou (talvez alguém que você ame e que se recusa a aceitar a salvação em Cristo). No entanto, imaginando o que deve ter significado para Jesus, que estava completamente ciente do que iria enfrentar a fim de salvá-los e, ao mesmo tempo, completamente ciente das conseqüências de Sua rejeição. "Foi... devido à Sua inocência que Ele [Cristo] sentiu tão intensamente os ataques de Satanás." – Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 129.
Respostas sugestivas: Pergunta 3: Primeiramente, a humilhação de deixar o Céu e nascer em nosso mundo. Enfrentou desprezo, preconceito, zombaria, aberta hostilidade, rejeição. Pergunta 4: Após fazer tanto pela raça caída, a rejeição foi extremamente dolorida. Seu lamento foi por não poder resgatar muitos por quem daria a vida.
O que você pode aprender de Cristo para lidar melhor com a dor da rejeição? O que Seu exemplo lhe mostra? Como você pode aplicar essa experiência à vida diária? |
| Terça |
Ano Bíblico: Ap 10 e 11 |
Jesus no Getsêmani
Por mais que Jesus haja sofrido em Seus 33 anos na Terra, nada se compara ao que Ele passou a enfrentar nas últimas horas antes da cruz. Desde a eternidade (Ef 1:1-4; 2Tm 1:8 e 9; Tt 1:1 e 2) o sacrifício de Jesus como oferta pelo pecado do mundo foi planejado, e agora, tudo estava acontecendo.
5. Mencione alguns dos sofrimentos de Cristo no Getsêmani. Mt 26:39; Mc 14:33-36; Lc 22:41-44
"Foi a uma pequena distância deles - não tão afastado que O não pudessem ver e ouvir - e caiu prostrado por terra. Sentia que, pelo pecado, estava sendo separado do Pai. O abismo era tão largo, tão negro, tão profundo, que Seu espírito tremeu diante dEle. Para escapar a essa agonia, não devia exercer Seu poder divino. Como homem, cumpria-Lhe sofrer as conseqüências do pecado do homem. Como homem, devia suportar a ira divina contra a transgressão.
"Cristo Se achava então em atitude diversa daquela em que sempre estivera. Seus sofrimentos podem melhor ser descritos nas palavras do profeta: "Ó espada, ergue-te contra o Meu Pastor e contra o varão que é Meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos" (Zc 13:7). Como substituto e refém do pecador, estava Cristo sofrendo sob a justiça divina. Viu o que significa justiça. Até então, fora como um intercessor por outros; agora, ansiava alguém que por Ele intercedesse." – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 686.
Resposta sugestiva: Temor de perder a companhia do Pai; solidão; o peso do pecado.
| Quarta |
Ano Bíblico: Ap 12–14 |
O Deus crucificado
A morte por crucifixão era um dos mais severos castigos que os romanos infligiam a alguém. Era considerada a pior maneira de morrer. Assim, se era horroroso alguém ser morto desse modo, quanto mais para o Filho de Deus! Devemos sempre nos lembrar de que Jesus veio em carne humana como a nossa. Entre as bofetadas, as zombarias, os cravos atravessando Suas mãos e pés, o peso angustiante de Seu corpo rasgando as feridas, a dor física deve ter sido insuportável. Isto era severo, até para o pior dos criminosos. Como foi injusto, então, que Jesus, inocente de tudo, enfrentasse esse destino!
Mas, como sabemos, os sofrimentos físicos de Cristo foram poucos em contraste com o que estava realmente acontecendo. Era mais que apenas a morte de um homem inocente.
6. Que eventos relacionados com a morte de Jesus mostram que havia mais significado no que estava ocorrendo, e que a maioria presente não entendia naquele momento? Que significado podemos encontrar em cada um desses eventos, revelando o que aconteceu na cruz?
Claramente, naquele momento estava acontecendo algo muito mais sério que apenas a morte, embora injusta, de um homem inocente. De acordo com a Escritura, a ira de Deus contra o pecado, o nosso pecado, foi derramada sobre Jesus. Na cruz, Jesus não sofreu a ira injusta da humanidade pecaminosa, mas a indignação justa de um Deus justo contra o pecado, os pecados do mundo inteiro. Assim, Jesus sofreu algo mais profundo, mais sério e mais doloroso que qualquer ser humano jamais poderia conhecer ou experimentar.
Resposta sugestiva: Caíram trevas sobre a cena; o véu do santuário se rasgou;
Qualquer que seja a luta que você esteja enfrentando, que esperança e conforto lhe traz a realidade de Cristo sofrendo por você na cruz? |
| Quinta |
Ano Bíblico: Ap 15–17 |
O Deus sofredor
Podemos também nos acostumar a isto: Visto que estamos aqui, neste mundo, é certo que vamos sofrer. Como criaturas caídas, este é nosso destino. Nada na Bíblia nos promete algo diferente. Ao contrário.
7. Que certeza nós, como cristãos, podemos ter a respeito do sofrimento? At 14:22; Fp 1:29; 2Tm 3:12
Mas, no meio do sofrimento, devemos ter duas coisas em mente.
Primeira, Cristo, nosso Senhor, sofreu mais que qualquer de nós poderia suportar. Na cruz, "Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre Si" (Is 53:4); o que só conhecemos como indivíduos, Ele sofreu coletivamente, por nós todos. Ele, que era sem pecado, Se tornou "pecado por nós" (2Co 5:21), sofrendo de maneira que nós, criaturas pecaminosas, jamais poderíamos começar a imaginar.
Segunda, em nosso sofrimento, devemos nos lembrar dos resultados do sofrimento de Cristo, isto é, o que nos foi prometido pelo que Cristo fez por nós.
8. Que promessas são essas? Jo 10:28; Rm 6:23; Tt 1:2; 1Jo 2:25
Por maiores que sejam nossos sofrimentos aqui, graças a Jesus, graças à Sua iniciativa de levar sobre Si mesmo o castigo de nosso pecado, graças à grande provisão do evangelho – que através da fé podemos ser perfeitos em Jesus agora mesmo – temos a promessa da vida eterna. Temos a promessa de que, por causa do que Cristo fez, por causa da plenitude e perfeição de Sua vida perfeita e sacrifício perfeito, nossa existência aqui, cheia de dor, decepção e perda, não é mais que um momento, um flash, um piscar de olhos, em contraste com a eternidade que nos aguarda, eternidade em um Novo Céu e uma Nova Terra, sem pecado, sem sofrimento, sem morte. E tudo isso nos é prometido e atestado só por causa de Cristo e do crisol em que Ele entrou de forma que um dia, vindo logo, Ele veria "o fruto do penoso trabalho de Sua alma e [ficaria] satisfeito" (Is 53:11).
Respostas sugestivas: Pergunta 7: O sofrimento é uma certeza para quem quer servir a Deus, mas a vitória é certa. Pergunta 8: Deus nos dará a vida eterna e a vitória sobre o pecado.
| Sexta |
Ano Bíblico: Ap 18 e 19 |
Estudo adicional
Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, pp. 685-697, 741-757.
"Três vezes proferiu essa oração. Três vezes recuou Sua humanidade do derradeiro, supremo sacrifício. Surge, porém, então, a história da raça humana diante do Redentor do mundo. Vê que os transgressores da lei, se deixados a si mesmos, têm de perecer. Vê o desamparo do homem. Vê o poder do pecado. As misérias e os ais do mundo condenado erguem-se ante Ele. Contempla-lhe a sorte iminente, e decide-Se. Salvará o homem custe o que custar de Sua parte. Aceita Seu batismo de sangue, para que, por meio dEle, milhões que estão a perecer obtenham a vida eterna. Deixou as cortes celestiais, onde tudo é pureza, felicidade e glória para salvar a única ovelha perdida, o único mundo caído pela transgressão. E não Se desviaria de Sua missão. Tornar-Se-ia a propiciação de uma raça que quis pecar. Sua prece agora respira apenas submissão: ‘Se este cálice não pode passar de Mim sem Eu o beber, faça-se a Tua vontade’." – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, pp. 690 e 693.
Perguntas para reflexão
1. Como nos ajuda em nossos próprios sofrimentos este conhecimento de que o próprio Deus, na pessoa de Cristo, sofreu mais do que qualquer de nós poderia sofrer? O que devem significar para nós os sofrimentos de Cristo em nosso favor? Que conforto podemos tirar desta verdade surpreendente? Enquanto você pensa na resposta, mantenha em mente a seguinte declaração de Ellen White: "Todo o sofrimento que constitui o resultado do pecado foi lançado no seio do inocente Filho de Deus." – Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 129.
2. Examine cuidadosamente com a classe os sofrimentos de Cristo estudados na lição desta semana. Quais foram os crisóis que Cristo enfrentou? Em que aspectos eles são semelhantes aos nossos próprios? Em que aspectos são diferentes? O que podemos aprender da maneira de Cristo enfrentar esses desafios?
3. Quais são algumas de suas promessas bíblicas favoritas, promessas a que você pode se apegar no meio de tristeza e dor? Escreva essas promessas, reclame-as para sua vida e partilhe-as em classe.
4. Escreva um pequeno parágrafo destacando alguns dos pontos principais que você conseguiu entender na lição deste trimestre. Que perguntas foram resolvidas para você? Que problemas ainda permanecem sem resposta? Como podemos ajudar-nos mutuamente a atravessar aquelas coisas que ainda nos desconcertam e aborrecem muito? |